Le Look de La Mer – O Olhar do Mar

Este texto foi escrito para um trabalho da universidade, trata-se do filme/livro O Escafandro e a Borboleta.

Le look de La Mer

Jean-Do

O mar. A representação de nossas vidas. Tão cheio de mistérios, tão cheio de mudanças. Não sabemos onde começa e onde termina. A vida simplesmente acontece como as ondas do mar. Nós nem percebemos e, por muitas vezes, ignoramos. Da maneira mais idiota que isto pareça ser, Jean-Dominique nos faz ter outros “olhos”. Sua perspectiva da vida, brilhantemente reproduzida no filme, nos envolve para dentro de seus sentimentos, de suas limitações, de sua humanidade. Com algumas centenas de pisques de um olho e muita paciência, ele escreve se não uma das histórias mais heróicas já contadas. 

Somos livres para sonhar, para acreditar e imaginar que tudo é possível já que não nos há limites para viver. Vivemos de experiências, de acontecimentos ou, como o próprio Jean-Do diz: nossa vida pode ser uma “seqüência de pequenos erros” que ao fim vai levar-nos ao arrependimento e, quem sabe, à aceitação dos fatos.

Isto é vida?, diz ele. Estão dizendo que você é um vegetal.., diz o amigo. Jean-Dominique, em sua experiência fatal, passa o sentimento de pena e, ao mesmo tempo, de esperança. Esperança esta que não há limites para a imaginação do ser humano, para a reprodução de suas idéias desde que ele tenha consciência e o mínimo de linguagem possível, afinal, as pessoas criam códigos para tudo e os decifram a todo momento.

Readaptar-se a um novo modo de se comunicar é cansativo e complicado. Uma criança cresce ouvindo as pessoas conversando e vendo seus gestos. Um adulto já vivido, como no caso do Jean-Do, ao sofrer uma doença conhecida como locked-in syndrome e apenas possuir um olho para transmitir seus pensamentos, tem que reconstruir toda sua biblioteca de códigos e assim manter este vital elo humano, a comunicação.

E o que seria da comunicação sem o voar e as ondas da imaginação. Ora, a realidade é um conjunto de conceitos imaginados, criados e acreditados. Damos vida às coisas ao nosso redor. Jean-Do, com sua limitação também criou conceitos em sua mente. – De mãos dadas elas atravessam o quarto, giram em torno da cama, percorrem a janela, serpeiam sobre a parede, vão até a porta e saem para dar uma volta. A aparente desordem desse alegre desfile não é fruto do acaso, mas de cálculos inteligentes. – pisca ele em relação ao novo alfabeto que teve que aprender. Sua nova relação para com as linguagens agora está sendo reestruturada e reorganizada, tornando isso um desafio desgastante porém necessário.

Tempo para catalogar seus novos códigos, em primeira vista, não era problema para Jean-Do, então, o que ele decidiu? Escrever um livro contando suas experiências naquele escafandro. Possível? Claro, as pessoas duvidaram de seus atos por decorrência de seus limites mas a determinação e a persistência naquilo que acreditou ser possível o fez transcender barreiras e dar ao mundo um novo conceito de solidão, de viver em um pesadelo bem-humorado onde a única forma de sobreviver era prendendo-se a sua humanidade, ou seja, a sua imaginação. Tudo isso, piscando apenas um olho. O olhar da vida

Jean-Dominique Bauby e filhos

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Sobre Motorronda
Sou uma pessoa normal que gosta de acreditar nas coisas que a vida lhe trás. Adoro jogos, blogs e internet. Sou estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Tiradentes e a melhor maneira de manter contato com os assuntos da universidade sempre atualizando este blog.

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