Você viu, mas não observou…

Lendo o livro “As Aventuras de Sherlock Holmes” do Sir Arthur Conan Doyle (tenho certeza que vocês já ouviram falar) chamou-me a atenção um trecho interessante do primeiro capítulo do livro, “Um Escândalo na Boêmia“, onde me fez lembrar as aulas de Métodos e Técnicas para a Produção de Idéias, onde o professor falou que na maioria das vezes passamos despercebidos pelos detalhes cotidianos, ou seja, nós vemos as coisas mas não as observamos. Veja por exemplo este trecho do livro onde há uma conversa entre o Watson (“Elementar meu caro, Watson“) e o Sherlock:

[…]Fez-me rir a simplicidade com que explicou seu processo dedutivo.
– Quando ouço as suas razões – observei -, tudo parece tão simples que logo penso poder fazer o mesmo, embora a minha perplexidade aumente a cada fase do seu raciocínio, até o momento em que você explica o seu processo… Todavia, creio que meus olhos são tão bons quanto os seus.
– Sim, perfeitamente – respondeu ele, acendendo um cigarro e deixando-se cair numa poltrona. – Você enxerga mas não observa. A diferença é clara. Por exemplo, você já viu muitas vezes os degraus que levam do hall até esse quarto.
– Frequentemente.
– Quantas vezes?
– Ora, centenas de vezes.
– Então quantos são?
– Quantos? Não posso saber.
– Pois bem! você não os observou. mas tem visto todos eles. Este é o ponto. eu sei que há 17 degraus, pois eu os vi e observei. Já que você parece interessado nesses pequenos detalhes, e uma vez que tem tido a bondade de tomar nota de algumas de minhas corriqueiras experiências, talvez venha a se interessar por isso. […]
 

Por este trecho podemos perceber o quão interessante é a diferença de perspectivas das pessoas, o quanto estes pequenos detalhes influenciam nos seus atos. E isso não é uma questão de “ser mais inteligente” que o outro ou que o outro é considerado um Savant, no caso aqui no personagem Sherlock Holmes. O Watson é um médico, casado com uma vida estável e o Holmes um detetive criminalista, frio, esforçado e que se envolve profundamente em seus casos, por mais simples que eles pareçam. Claro que ele tem lá seus momentos de “loucura” em nossa concepção, mas tenho certeza que estes trejeitos dele são fruto de uma mente esforçada que está a todo momento na busca de conhecimento e, claro, na área de interesse deste detetive, o crime.

Enfim, o que quero transmitir aqui, citando o livro, é uma simples opinião, baseada nas aulas, sobre como estas maneiras de ver o mundo, observando os detalhes são exclusivamente diferentes para cada ser. Cada um vê o mundo do seu jeito, cada um tem sua perspectiva e que essas diferenças não fazem uns serem mais inteligentes que outros, mas sim, de fato deveria, adicionar conteúdo ao seu cotidiano, assim como o Holmes fez ao dizer a quantidade de degraus ao Watson.

Elementar, meu caro Doyle..

Sobre Motorronda
Sou uma pessoa normal que gosta de acreditar nas coisas que a vida lhe trás. Adoro jogos, blogs e internet. Sou estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Tiradentes e a melhor maneira de manter contato com os assuntos da universidade sempre atualizando este blog.

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